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Conheça a simbologia do casamento japonês

Noiva japonesa de kimono vermelho, pronta para celebrar sua união em um tradicional casamento japonês.

4 de dezembro de 2017 . Por Joie

Em todos os lugares do mundo, o casamento é uma representação do amor entre duas pessoas que decidem formar uma família juntas e prezar pelo respeito, companheirismo e cumplicidade. Cada cultura, no entanto, tem suas simbologias próprias, presentes desde os rituais da cerimônia até a decoração e código de vestimenta da festa. Nesse sentido, o casamento japonês encanta pelos seus significados.

Noiva japonesa de kimono vermelho, pronta para celebrar sua união em um tradicional casamento japonês.

 

Casamento japonês xintoísta: cultura, tradição e simbolismo

 

A cultura japonesa é muito rica e frequentemente explorada pela cultura pop, muitas vezes até de forma estereotipada. No entanto, pouco se fala sobre o casamento japonês e suas tradições, que embora cedam cada vez mais espaço para a influência ocidental, se mantém firmes e fortes no país e entre os descendentes.

O xintoísmo é a religião adotada por 84% da população, segundo estatísticas, seguido pelo budismo, com 71%, sendo que muitos japoneses creem em ambas de forma complementar. Uma cerimônia tradicional pode ter de um a três rituais religiosos, incluindo ainda o cristão, embora apenas cerca de 2% dos japoneses adotem essa religião.

Os símbolos mudam de ritual para ritual. No casamento japonês xintoísta, por exemplo, a noiva usa branco – considerado símbolo de pureza -, mas ao invés de vestidos de renda suntuosos usa um quimono e dois tipos de chapéu: o Wataboshi, usado durante a cerimônia religiosa, e o Tsunokakushi, usado na festa.

O chapéu simboliza a obediência da mulher e o quimono também pode trazer grous, estampa que simboliza fidelidade e longevidade.

Os sapatos são sandálias brancas, chamadas zouri.

Os acessórios usados pela noiva na cerimônia xintoísta não tem nada de tradicional para os ocidentais: elas usam um punhal por dentro do quimono, chamado de futokoro-gatana, próximo ao coração, e uma carteira (hakoseko) com espelho de mão, pente e um leque dourado.

Já os homens usam um quimono preto, chamado haori-hakama, inspirado nos trajes formais usados pelos samurais do século XX.

 

Ritual de casamento

 

No dia do casamento japonês, no ritual xintoísta, os noivos vão para o santuário acompanhados dos entes queridos e ao som de flautas e tambores. Na religião, o casamento não é somente a união de duas pessoas, mas também de duas famílias, e por isso é essencial que os familiares estejam presentes.

O casal passa por um ritual de purificação, onde toma saquê em três cálices que representam Céu, Terra e Homem e simbolizam o novo vínculo que está sendo formado entre os noivos.

Um ritual de noivado tradicionalmente forte é o Yui-no, no qual as famílias dos noivos trocam alimentos e bebidas em um dia considerado de sorte e decidido em consulta ao almanaque japonês.

As famílias compram saquê, que representa carinho e obediência, e o noivo ganha uma saia de presente como símbolo de fidelidade.

Os noivos fazem um juramento após a troca das alianças e convidam todos os presentes a se levantarem para a Consagração do Tamagushi, um ramo de folhas que simbolizam o respeito e a união com Deus e é consagrado em uma bandeja chamada sambo.

Por fim, noivos, pais e padrinhos trocam taças novamente, dessa vez para representar a união entre as duas famílias. O casamento se encerra com o mestre de cerimônias dizendo algumas palavras sobre união, amor e respeito.

Os dias de sorte, inclusive, são os preferidos dos noivos e disputados intensamente. É comum que sejam realizados casamentos japoneses coletivos e em locais públicos nesses dias.

O ritual do saquê é um dos mais belos: os noivos se sentam de frente um para o outro e bebem ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos e pousando os copos na mesa ao mesmo tempo. Esse ato é feito com a intenção de que um não vai morrer antes do outro. Depois os familiares trocam copos entre si para simbolizar a união.

A cartela de cores favorita é o vermelho e branco, cores da felicidade no casamento japonês. A noiva, inclusive, pode trocar o vestido por um kimono vermelho durante a festa, mas isso depende do ritual religioso adotado.

Ah, e a tradição de passar a gravata para que os convidados deem dinheiro tem sua versão japonesa: o shugi bukuro, um envelope no qual os presentes depositam uma quantia de acordo com o grau de proximidade com os noivos.

 

Cerimônia de casamento budista

 

O casamento japonês budista é celebrado com mais pompa e glamour que a cerimonia xintoísta – começando pela decoração luxuosa e predominantemente dourada.

No altar, são dispostas velas vermelhas, que representam a alegria dos noivos, e incenso, que simbolizam a espiritualidade e gratidão. O monge que realiza a celebração – considerada um sacramento no budismo – entrega aos noivos rosários feitos de sementes de árvore.

Também no altar, só são permitidas as presenças dos noivos e dois padrinhos como testemunhas, considerados aqueles que vão orientar e aconselhar o casal durante toda a vida.

A igreja toda é decorada com flor de lótus. Ao chegar ao altar, a noiva entrega uma flor ao noivo, que lhe entrega de volta uma vela vermelha acesa, ofertas que evocam Buda e seus ancestrais para que tragam bênçãos ao casal. O incenso em pó é aceso pelos noivos para evocar seres iluminados.

O san-san-kudo é um dos rituais mais importantes do casamento japonês. O saquê é servido em três xícaras, que devem ser tomadas por cada um dos noivos segurando com as duas mãos.

Essa tradição remete às três joias do budismo: Buda, aquele que está desperto; Dharma, o caminho da compreensão e do amor; e Sangha, a comunidade que vive em consciência e harmonia.

Cada xícara tem um significado: o Pinheiro, verde em todas as estações, remete à juventude e força; o Bambu, que é flexível, mas nunca se quebra; e a Flor da Ameixeira, a primeira a desabrochar, que representa beleza e coragem.

Para encerrar o sacramento do casamento japonês, os noivos leem os votos um para o outro, trocam alianças e recebem do monge um rosário, colocado na mão esquerda, com 108 contas representando os 108 portais para iluminação.

 

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